Calçadão da alma

Público do sarau: “Calçada da Alma”, realizado Sábado, dia 30 de Junho de 2012, no Zooom-in, no posto 7, na praia da Barra

Público do sarau: “Calçada da Alma”, realizado Sábado, dia 30 de Junho de 2012, no Zooom-in, no posto 7, na praia da Barra

Bem que poderia ser esse nome do sarau realizado Sábado, dia 30 de Junho de 2012, no quiosque Zooom-In, no posto 7, na praia da Barra, mas o nome verdadeiro do evento é : “Calçada da Alma”. O sarau, desde quando tinha o nome de: “Barra da poesia”, está em seu quarto encontro, e acontece todo último Sábado do mês. O evento contou com a apresentação de dois poetas: Marisa Vieira e Manoel Herculano, da banda El Trago, além da participação do público, que declamou poesias no microfone.

A radialista, locutora, produtora cultural e poeta Marisa Vieira se apresentando no sarau “Calçada da Alma”, no Zooom-in, no posto 7, na praia da Barra.

A radialista, locutora, produtora cultural e poeta Marisa Vieira se apresentando no sarau “Calçada da Alma”, no Zooom-in, no posto 7, na praia da Barra.

Marisa, além de poeta, é radialista, locutora e produtora cultural. É moradora da Barra, e filha de mãe mineira e pai pernambucano, nascida em Brasília. Tem 40 anos e mora há 11 no Rio de Janeiro. A poeta é bastante conhecida no meio poético e literário do Rio de Janeiro, sempre presente em saraus na Barra e na cidade. Trabalha no marketing digital do Performance 8, sarau realizado de dois em dois em meses, no restaurante El Palomar, no shopping Barra Point, na Barra, e que conta com a participação de diversos artistas, organizado e idealizado pela artista multimídia Patrícia Carvalho-Oliveira. Marisa foi inclusive convidada do último evento, no dia 20 de Junho. Duas matérias sobre o Performance já foram publicadas aqui: “A barra é da arte, dos artistas e das performances” e “Convidados do Performance 8 de 20 Junho”.

Marisa disse ao Barra da Cultura que escreve desde que se conhece por gente e que terminava suas redações na escola sempre com metáforas. Em Brasília a poeta já participava de saraus. No Rio e na Barra começou suas participações no meio poético em 2007, ano em que conheceu o professor João Luís, idealizador e curador do atuante Sarau: “Corujão da Poesia”, que era realizado na antiga livraria: “Letras e Expressões”, no Leblon, além de ter conhecido Manoel Herculano, no mesmo local e ano. “Eu conheci o João na verdade por meio de Gean Queiroz, que trabalhou comigo na livraria Armazém Digital, no Rio Design, no Leblon.”, comentou Marisa, que frisou que sempre foi a todos os encontros do Corujão. Ela comentou também sobre sua amizade com Manoel: “Desde que conheci o Manoel no Corujão do Leblon, nasceu entre nós uma amizade muito grande”.Dos anos depois, em 2010, Marisa conheceu Patrícia, no Corujão da  Poesia na Barra, que no momento está inativo no bairro, e que era realizado na livraria Nobel, no shopping Downtown.

Marisa já trabalhou no “Atelier Armazém da Memória”, no shopping Barra Point, na Barra, como fomentadora cultural, já foi coordenadora do Opa (Ocupações poéticas), evento de poesia social, nascido na comunidade do Alemão, em dezembro de 2010, que durou até 2011 e que era realizado no Monumento de Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo. A poeta já trabalhou como produtora do “Visões Periféricas”, que produz curta-metragens e realiza oficinas de cinema em comunidades do Rio. Marisa trabalha ainda na produção de congressos e feiras em medicina e veterinária na cidade e está fazendo faculdade de pedagogia.

A poeta está presente em todos os saraus do Zooom-in e disse que no meio poético todos se conhecem e que o convite para participar do sarau do quiosque partiu de Fil Buc, produtor fonográfico e diretor dos eventos de shows e culturais do quiosque, que falou sobre Marisa para seu pai, o poeta, escritor, produtor cultural e morador de Campos, Artur Gomes, que também ajuda a coordenar o “Calçada da alma”. “Eu já conheço o Artur há algum tempo, desde 2008, em um congresso de poesia em Bento Gonçalves, no Sul do Brasil.”, comentou Marisa.

Marisa faz apresentações em que se utiliza de poemas curtos, em tom de humor. É o que ela chama de “Stand-Upoesia”, alusão ao Stand-Up Comedy. Marisa se considera uma frasista, antes de poeta, já que faz muito uso de frases soltas. A poeta elogiou os eventos do Zooom-in: “Esses eventos do zooom-in na praia são excelentes, pois dão um ambiente lounge na praia da Barra. A barra é lounge”. Ela faz uma alusão a palavra inglês: “lounge”, muito utilizada hoje em dia, que significa ser um ambiente tranqüilo, onde as pessoas sentam e relaxam, ao som de músicas suaves. Marisa disse ainda que a Barra é muito parecida com Brasília, é “Barrasília”, que disse também que saraus e cine clubes estão ganhando mais força pelo Rio de Janeiro.

O poeta Manoel Herculano se apresentando no sarau: “Calçada da Alma”, no Zooom-in, no posto 7, na praia da BArra

O poeta Manoel Herculano se apresentando no sarau: “Calçada da Alma”, no Zooom-in, no posto 7, na praia da BArra

Barra da Cultura entrevistou o poeta Manoel Herculano, que foi convidado por Marisa para se apresentar no “Calçada da Alma”. O poeta, de 53 anos, morador da Lapa, é do interior do Maranhão e veio para o Rio de Janeiro em 1988. Ele contou que já escrevia desde os 11 anos, quando foi alfabetizado, e aos 18, quando foi para São Luís. “Já trabalhei muito em diversas funções no Maranhão e no Rio, mas eu não pensava ainda em arte, a arte ainda não fazia parte da minha vida, onde eu morava no interior nem tinha arte.”, comentou Manoel, que disse se descobrir autor em teatro ao fazer uma oficina de teatro na Tijuca, em 1995: “Minha ex-mulher dizia que eu tinha facilidade para as artes”, explica.

Em 2007, Manoel levou um texto seu de teatro ao: “Centro Cultural Municipal Oduvaldo Viana” ou “Castelinho do Flamengo”, localizado na praia da Flamengo, e Elisa de Castro, diretora do centro na época, o apresentou a Aristó de Carvalho, professora aposentada, que organizava o evento de poesia: “Canto e poesia”, para a terceira idade. Aristó, segundo Manoel, perguntou se ele tinha algum poema, que apresentou a ela o poema: O Silêncio. Aristó então apresentou Manoel a um sarau no Castelinho, organizado por João Pedro Roriz, que ouviu do poeta outro poema. “Daí então eu passei a fazer parte de um oficina literária como aluno. No final da oficina, Elisa me pediu para fazer uma apresentação, um monólogo, no centro Cultural.”

Manoel possui dez peças de teatro escritas, algumas delas já montada. Ele se apresenta com o espetáculo: “Espelho”, que são poemas sobre amor e humor, desde 2007. Suas apresentações duram de quinze minutos a uma hora e seus espetáculos são realizados em faculdades e aberturas de shows de alguns cantores da MPB.  O poeta foi convidado pela Firjan, Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, a dar oficinas de poesia e literatura, que ele faz questão de dizer que não dá aulas e sim testemunhos, em comunidades pacificadas do Rio de Janeiro, como: Cidade de Deus, Providência e Andaraí.

Manoel fez recentemente uma apresentação de poemas e cordéis, contratado como cordelista, na Rio + 20, no stand do Sesc do Rio de, no píer Mauá, na Praça Mauá, no centro da cidade. O poeta possui um projeto de criar um cd e um DVD com seu espetáculo “Espelho”.

O poeta faz também canções acapella, com composições próprias. Ele disse ser muito importante o “Calçada da alma”, do Zooom-in: “Acho importante um evento como esse ao ar livre, pois um sarau como esse, é instigador, provocando quem passa por aqui a se interessar pelos poemas.” O poeta disse ainda que a poesia é transformadora e que está ficando popular, ainda mais pelo trabalho feito pelo Corujão da Poesia: “ A leitura liberta, algum poeta lendo um poema em um sarau incentiva outra pessoa a ler também. Isso está acontecendo principalmente pelo trabalho do Corujão da Poesia, que está democratizando os livros pelo projeto deles: libertação dos livros.”

Os poetas e participantes do sarau: “Calçada da Alma”: Marisa Vieira e Manoel Herculano

Os poetas e participantes do sarau: “Calçada da Alma”: Marisa Vieira e Manoel Herculano

Manoel faz questão de enfatizar o apóio de poetas e coordenadores de saraus, que segundo ele, sempre o ajudaram muito com seus trabalhos, como: João Luís, o cantor e compositor Jorge Ben Jor, padrinho do Corujão da Poesia, e ainda a tradutora e professora de italiano, Myriam de Filippis, que Manoel conheceu através da oficina literária em que ambos participaram no “Centro Cultural do Castelinho”.

A banda: “El Trago”, que tocou Sábado, dia 30 de Junho, no sarau: “Calçada da Alma”, no Zooom-in, quiosque localizado no posto 7, na praia da Barra

A banda: “El Trago”, que tocou Sábado, dia 30 de Junho, no sarau: “Calçada da Alma”, no Zooom-in, quiosque localizado no posto 7, na praia da Barra

Barra da Cultura entrevistou também a banda El Trago, que se apresentou durante o sarau do Zooom-In. A banda é formada por: Felipe Balbino no baixo e na flauta, Mauro Rebello no banjo e ukulele, Pepê Canongia no violão e vocal e Bernardo Massot na bateria. “No entanto somos todos polivalentes, todos nós tocamos mais de um instrumento e todos cantamos na banda”, define Felipe.

Todos  os integrantes são moradores da Barra e amigos de infância. Todos compõem, com letras de temas diversos e cada integrante tem sua própria influência, que vai desde reggae, samba e folk, até blues e jazz, conforme explicaram Felipe e Pepê. O grupo possui apenas dois meses de existência e no dia da visita do Barra da Cultura ao sarau, estavam fazendo seu primeiro show, com grande presença do público. Felipe explica o motivo do nome da banda: “Tivemos a idéia de formarmos a banda no réveillon de 2011 para 2012, no Balneário Camburiú, em Santa Catarina, quando fomos a um boteco chamado El Trago”.

A banda El Trago. Da esquerda para a direita, na ordem: Bernardo Massot, Pepê Canongia, Felipe Balbino e Mauro Rebello

A banda El Trago. Da esquerda para a direita, na ordem: Bernardo Massot, Pepê Canongia, Felipe Balbino e Mauro Rebello

Pepê falou sobre um projeto seu, criado há 6 meses, o “Indius”, que de acordo com ele foi criado depois do músico trabalhar no jornal “Plástico Bolha”, jornal distribuído gratuitamente pelo Rio e outras cidades brasileiras, que contém textos poéticos e literários. “Eu quis levar a idéia do jornal para o indius, que é um sarau onde os encontros são marcados pelas redes sociais, em locais públicos como praças, geralmente na Zona Sul e na Barra.” Pepê explica ainda que o sarau tem esse nome pois quer dar a idéia de unir o alternativo a todos, que seria a palavra em inglês “indie”, que quer dizer “alternativo”, com a palavra também em inglês: “us”, quer dizer “a nós”. Porém frisa que apesar de ter um nome que remete ao inglês, quer ser um sarau totalmente brasileiro.

Uma matéria sobre o Zooom-In já foi publicada no site: “Foco da música e da poesia na praia da barra”, além de uma matéria sobre uma banda de pop/rock que tocou no quiosque: “Show da banda Cadê Teresa? no Zooom-in”.

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