Poesia viva na Barra da Tijuca

A professora aposentada, poeta e moradora da Barra, Léa Madureira, com algumas das edições do jornal Poesia Viva

A professora aposentada, poeta e moradora da Barra, Léa Madureira, com algumas das edições do jornal Poesia Viva

Professora de História da UERJ aposentada, Léa Madureira, moradora da Barra e do condomínio BarraMares há 33 anos e com três livros publicados, faz parte de um jornal que no seu início procurava por novos  poetas, que fossem também da Barra da Tijuca. O Jornal chama-se Poesia Viva e é voltado para poesia, literatura e filosofia e o objetivo é dar visibilidade a poetas anônimos e também a poetas já consagrados, como Manoel de Barros e Affonso Romano de Sant´Anna.

O jornal surgiu inspirado em um concurso de 1994: “Quem são os poetas da Barra?”, que criou um livro do mesmo nome, do qual Léa fez parte. Em Dezembro do mesmo ano a sede do Poesia Viva se estabelecia na Olegário Maciel, no Jardim Oceânico, na Barra. Assim, a partir da terceira edição, Léa passou a fazer parte da comissão editorial do jornal, além de sempre ter um poema seu publicado a cada tiragem.

Jornal O Trem, à esquerda, jornal que Léa escreve colaborativamente e o Poesia Viva, acima e abaixo, à direita, jornal que Léa participa da comissão editorial

Jornal O Trem, à esquerda, jornal que Léa escreve colaborativamente e o Poesia Viva, acima e abaixo, à direita, jornal que Léa participa da comissão editorial

Léa escreve também no jornal: “O Trem”, de Itabira, Minas Gerais. Ela contou que começou a escrever por uma decepção escolar e para ajudar a se expressar. “Eu tinha problemas de audição e não era uma boa aluna em matemática.Por isso comecei a escrever, além de querer me expressar na escrita para vencer a timidez” No entanto, a poeta disse que ao fazer o concurso para o Instituto de Educação, para ingressar no antigo segundo grau, hoje Ensino Médio, começou a estudar muito e passou em terceiro lugar no concurso. “Eu fiquei deslumbrada com a biblioteca do Instituto.”, comentou.

A poeta participa da Oficina literária Ivan Cavalcanti há 12 anos e não poupa elogios a oficina, que é realizada no apartamento de Ivan, no Flamengo. “ A oficina é ótima, eu encontrei em Ivan a cultura nacional, que ele tanto valoriza. E a oficina não forma escritores, mas acelera o processo.”

A professora  possui o livro de poesia, publicado pela editora Uapê, em 2002: “Por não haver navegado.”, que ganhou o prêmio Da Costa e Silva UBE – Poesia em 2004. Publicou também, pela Oficina do Livro, em  2005, que no ano seguinte ganhou o premio Alejandro José Cabassa, o livro de contos: “Os Vinte e sete degraus.”  E em 2010 Léa publicou, pela Uapê, premiado pelo Prêmio Afonso Félix de Souza – UBE – Poesia – 2011, o livro de poesia: “As cercanias do outono.”

Sobre seu processo de escrita, Léa comentou que seus poemas surgem através de um choque: “Surgem como um soco no estômago, escrever é a arte da resistência em razão de uma perplexidade.”

Sobre seus escritores preferidos e que a inspiraram a escrever, Léa diz que são os nacionais: Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Manoel de Barros, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Augusto dos Anjos.

A escritora faz uma pequena crítica aos poemas declamados em forma de performances: “A poesia é algo muito íntimo, tem que passar pelo papel, fica melhor no papel e fica melhor sendo lida, nem sempre o poema fica belo sendo declamado por meio de todas aquelas expressões corporais e artísticas.”

O Jornal Poesia Viva é publicado trimestralmente e distribuído em livrarias, editoras, bibliotecas, centros culturais, cafés, universidades e escolas.

Abaixo um poema de Léa:

 

Caminhos do tempo

 

Estradas percorrem o rosto de contundente olhar.

Inscrevem-se batalhas do nariz à boca,

nos sulcos da testa e do pescoço.

Inquieto o menino questiona:

era ele mesmo — na foto — o soldado?

Da avó o forte abraço a confirmar.

 

 Então, orgulhoso, vestia a imaginária farda

Abrir fogo! Ordenava aos soldadinhos.

Perfilados no assoalho por fim tombavam.

Os carros de combate devagar moviam-se

enquanto a avó, brigadeiros à bandeja

levava a vencedores e vencidos.

 

 Se o avô envolvia-o na história

de guerras e vitórias contra o mal,

o herói já cansado conduzia

os leais camaradas a seus postos.

E a avó, num suspiro da memória

cantava uma canção enternecida.

 

Hoje lutando em armas de outras batalhas

se a caixa de madeira da gaveta abre

pulam soldadinhos e dos avós a marcha.

O mal por bom tempo era afastado

a força renascia e a paz voltava.

— E em várias gerações amanhecia.

 

(Léa Madureira Lima.

Rio, 24/07/2012)

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