Um chat que simula a vida

Projeto de criar a Barra da Tijuca dentro do Secondlife

Projeto de criar a Barra da Tijuca dentro do Secondlife

O nome deste chat (ou jogo) é Second Life. Muitas pessoas que o freqüentam não sabem explicar o que é exatamente, pois ele é algo muito amplo, sendo possível você interagir e viver outras vidas com outras pessoas. Second Life é tão antigo que este artigo já deve ser apenas mais um entre milhares já escritos, mas mesmo assim vale apena falar sobre.

O Second Life (também abreviado por SL) é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Foi criado em 1999 e desenvolvido em 2003, e é mantido pela empresa Linden Lab. Dependendo do tipo de uso, pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. O nome “second life” significa em inglês “segunda vida”, que pode ser interpretado como uma vida paralela, uma segunda vida além da vida “principal”, “real”. Dentro do próprio jogo, o jargão utilizado para se referir à “primeira vida”, ou seja, à vida real do usuário, é “RL” ou “Real Life” que se traduz literalmente por “vida real”.

Pode fazer tudo no Secondlife, até ir a praia

Pode fazer tudo no Secondlife, até ir a praia

Esse ambiente virtual tinha recebido bastante atenção da mídia internacional, principalmente as especializadas em informática, pois o número de usuários registrados e também os ativos, havia crescido significativamente em 2007, mas muitos usuários, denominados também de residentes, abandonaram o Second Life, migrando para redes como Facebook, Twitter e outras redes sociais. O número de usuários (residentes) conectados ao Second Life gira em torno de 60.000, com alguns picos acima de 70.000 nos fins de semana.

Esta aplicação em 3D cria uma meta universo para comunidades virtuais. Simula perfeitamente um ambiente tridimensional e utiliza animação em 3D e avatares. Graças ao realismo da animação, os avatares podem sentir, ver ou experimentar uma interação real.

Show da banda de Reggae brasileira “Olhos Atentos” ao vivo

Show da banda de Reggae brasileira “Olhos Atentos” ao vivo

Além de poder comprar os Linden Dollar com dinheiro real no site, é possível também ganhar Linden Dollar no jogo e convertê-los no site novamente para dinheiro real. Há inúmeras maneiras de se obter uma fonte de renda: é possível criar objetos, construir imóveis, desenvolver acessórios para os avatares (as personagens também são conhecidos por avatares), fazer apostas em máquinas caça-níqueis, trabalhar para outros avatares e muito mais.

À medida que muitos usuários “jogam” second life, e outros o utilizam como meio de relacionamento, eles passam a adquirir produtos e contratar serviços virtuais, para aprimorar o seu avatar tanto na aparência como para  adquir casas, terrenos, veículos, roupas etc. Esse consumo cria uma demanda que possibilita que outros usuários criem e comercializem, de modo a suprir essa demanda. E com isso cria-se uma economia virtual e uma fonte de renda e também de negócio.

Passeio de bicicleta na ciclovia da Barra

Passeio de bicicleta na ciclovia da Barra

Mas um fato deve ser destacado: poucas pessoas conseguem ganhar dinheiro no Second Life. A maioria esmagadora gasta dólares no SL. Quando se cria uma conta no site da Linden Labs, pode-se cadastrar o cartão de crédito internacional. Pode-se então comprar lindens e gastá-los no SL. O motivo dos gastos se deve ao interesse de quem deseja ficar no jogo de obter roupas melhores, desenhadas e exclusivas, que são caras, para que o avatar seja distinto dos demais avatares.

Quiosque perto do Pier, na praia da Barra da Tijuca

Quiosque perto do Pier, na praia da Barra da Tijuca

Outros residentes costumam alugar terrenos para poderem colocar uma casa e, desta forma, podem “jogar” objetos no chão, podendo assim melhor conhecer o Second Life. Praticamente em todo o Second Life, os avatares apenas podem vestir roupas, sem poder “jogar” um objeto no chão, como por exemplo, um automóvel ou uma mesa de jantar, para impedir que o ambiente virtual de uma ilha seja modificado.

Vista aérea do Projeto Barra da Tijuca

Vista aérea do Projeto Barra da Tijuca

O custo para manter uma ilha é elevado. Geralmente, mais de uma pessoa ajuda a pagar uma ilha para poder mantê-la on-line. O custo atual de uma ilha gira em torno de R$ 400 a R$ 500 por mês, dependendo da cotação do dólar. Todas as ilhas são pagas, e o não pagamento da mesma causa a desativação da ilha. Para colocar uma ilha on-line, o custo inicial é em torno de R$ 1.200.

Muitos usuários novatos no SL, costumeiramente denominados de “noobs”, chegam procurando empregos. Os empregos no SL existem, porém são poucos, e se ganha em lindens. Não é necessário trabalhar para poder ficar no SL. Existem no SL diversas lojas de roupas, objetos gratuitos denominados Freebie. Lá se pode comprar muita coisa pagando zero lindens.

Novatos não conseguem empregos porque não sabem como o SL funciona e não sabem a quem pedir um emprego. Os empregos mais comuns são de DJ e promoter (propagandista) de uma loja (que praticam, entre outras, os famigerados spams no metaverso, inundando convites para suas listas de contatos), officer (um usuário administrador, que tem acesso a certas funções desativadas a usuários normais ) de uma ilha, escortes (acompanhamentes, geralmente usuários mais experientes que ‘alugam’ sua amizade e companhia para ensinar os macetes no uso do SL para usuários novatos), etc.

Outra prática que está se tornando constante no SL são os negociadores de lindens (na falta de uma expressão mais adequada no idioma português), que revendem lindens dóllars pela moeda do Brasil, o Real. São verdadeiros cambistas, que convertem dinheiro real em dinheiro virtual. Muitos usuários, para adquirirem lindens dóllars, acabam por comprar direto destes usuários, pois é uma prática mais fácil de ser feita, do que a procura a lojas de câmbios oficiais no metaverso do SL. Não há qualquer agência reguladora de câmbio oficial no SL, apenas a própria administradora do programa. Em anos anteriores já foi tentado uma regulamentação deste setor, mas tanto a Linden Labs, quanto as instituições que se aventuraram a executar negócios no metaverso do SL, acabaram por amargar um grande prejuízo. Hoje existem prestadores de serviços, que repassam o dinheiro virtual para usuários (aqui os cambistas de primeira linha), e estes para os demais (cambistas de outras linhas de negociação). No final da fila estão os usuários comuns que compram os linden dóllars dos negociadores de lindens que conhecem.

Second Life é como uma vida paralela: é possível fantasiar os planos até então impossíveis de serem atingidos na vida real. O cenário do jogo, criado pelos próprios jogadores, é em terceira dimensão e completamente interativo, onde praticamente qualquer objeto encontrado em sua jornada poderá sofrer a interação do avatar, conforme sua respectiva função.

Os cenários são variados, dependendo do desenho e do gosto de quem criou cada região. Apesar de o ambiente possuir um mapa global extenso, a distância não é um problema, pois é possível voar e se teletransportar. É possível, também, correr, abaixar-se, pular, entre outros inúmeros gestos disponíveis. O jogo tem um fuso horário próprio (UTC-7) ou Pacific Meridian Time, o mesmo da Califórnia, onde é sediado o Linden Lab, criadora do jogo. Em relação ao horário de Brasília, a diferença é de 4 horas para menos. Se agora no Brasil (verifique seu relógio) são 20:00, no Second Life a hora é 16:00.

O ciclo dia-noite no Second Life, porém, dura apenas 4 horas, período em que o sol nasce e se põe. Nesta última versão lançada em 2010, é possível “configurar” qual horário do dia você quer que seu avatar enxergue. Esta versão também traz um menu interativo em português.

É possível comprar, ou às vezes encontrar gratuitamente, gestos, roupas, peles, formas de corpo, e também trocar de sexo ou cabelo. Objetos também podem ser encontrados ou comprados: carros, casa, bola, vara de pescar, cadeira, quadros, revistas, jornais, motos, etc. Tudo criado pelos próprios jogadores mais experientes. Hoje em dia há até as roupas Mesh, em que a roupa é desenvolvida num software 3d , o mesmo que faz animações 3d, e passado para dentro do jogo e configurado no sistema novo de roupas Mesh, em que a roupa se encaixa no corpo do seu avatar e faz os movimentos juntos ao seu corpo.

Na maioria dos lugares do mundo virtual do Second Life não há qualquer dano ao personagem, ou seja, mesmo que alguém dê um tiro com uma arma virtual, apesar do barulho ou susto, o personagem não sofrerá qualquer tipo de avaria. Mesmo caindo de centenas de metros de altura, também não há problemas: o avatar levanta-se e pronto. Mas é possível “perder energia” ao levar tiros ou cair em terrenos virtuais onde aparece o ícone de um coração (indicado pela palavra “saúde”) na barra superior da tela. Nestes locais, caso o avatar perca 100% de sua “energia”, ele volta para a “área de boas-vindas” do Second Life, a região por onde todo avatar entra pela primeira vez no mundo virtual. Esta característica é acionada pelo dono do terreno virtual, e é uma das maneiras de se criar jogos dentro do Second Life. As guerras entre vampiros, lobisomens e outros clãs se dá dentro do metaverso, nas ilhas onde é permitido este tipo de “jogo” (um jogo dentro do “jogo”).

Como o Second Life são cenários criados pelos próprios jogadores, é possível ser criado o lugar que você quiser e desejar, basta ter bastante lindens para alugar ilhas e usar sua criatividade. É possível criar lugares que nós vivemos no nosso dia a dia, até mesmo a Barra da Tijuca, que já foi simulada por três grupos dentro do Second life. Como pode ser visto nas fotos é possível criar lugares em que vivemos, mas os projetos da Barra não foram adiante, pois para criar uma Barra completa é necessário ter no mínimo oito ilhas coladas. E há pessoas que “viajam” totalmente na “batatinha”, como por exemplo, viver o clima do filme “Avatar”, em que é possível comprar roupas do filme, podendo ser o humano do ou até mesmo o personagem azul chamado avatar.

Mas como Second Life não é muito valorizado no Brasil, poucas ilhas brasileiras ainda sobrevivem até hoje, pois é preciso ter muito dinheiro para manter uma ilha dessas. No exterior o jogo é mais valorizado e a compra de lindens é muito mais barata.

O Second Life simula de tal tamanho a vida, que existem blogs feitos por jogadores para apresentar a moda fashion do jogo e suas respectivas lojas. Há até um site de fofocas brasileiro, Fofocas News SL, em que seu principal objetivo é capturar jogadores casados que pulam a cerca com outros avatares solteiros, ainda capturar vendedores de linden e seus compradores que praticam roubos de linden no SL, pedofilia e preconceitos.

Para baixar e experimentar o jogo, é preciso criar um login de usuário e baixar um visualizador (viewer) de 30 MB, que apresenta na tela do seu computador o lugar em 3d da ilha que você esta visitando. Antes os jogadores podiam escolher nome e sobrenome. A procura foi tanta que agora a pessoa pode escolher somente o nome, o sobrenome é sempre Resident. Lembrando que Second Life é para maiores de 18 anos.

Site oficial: www.secondlife.com

Veja abaixo um vídeo criado pela jogadora Elecktra Ferraris, moradora da Barra da Tijuca:

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